POESIA DE MARTINS PESCADOR
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sábado, 10 de março de 2012
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
O PERFIL
Martins Pescador
Quem poderia descobri-lo
No meio da multidão
Onde todos se enquadravam
Na mesma percepção
Os seus movimentos bruscos
Que chamaram atenção
Um elemento diferente
No meio da multidão
O líder reconhecido
No meio da multidão
Se falar vai ser ouvido
Sem sofrer contestação
E aonde quer vai ser seguido
P´ra fazer revolução.
Quem poderia descobri-lo
No meio da multidão
Onde todos se enquadravam
Na mesma percepção
Os seus movimentos bruscos
Que chamaram atenção
Um elemento diferente
No meio da multidão
O líder reconhecido
No meio da multidão
Se falar vai ser ouvido
Sem sofrer contestação
E aonde quer vai ser seguido
P´ra fazer revolução.
sábado, 17 de setembro de 2011
FRUTO DE NOSSAS FRAQUEZAS
Martins Pescador
Nós não falamos com nossos filhos
Não temos tempo para ouvi-los
Histórias deles não nos interessam
Quando se arrasta um dedo em um gatilho
Se o tiro acerta em um de nossos filhos
É uma lástima de violência
Que não entende a nossa inteligência
Mas muito antes de perdê-lo à morte
Ficamos órfãos ao perdê-lo ao mundo
Que talvez também nos escapou a sorte
De um pai mostrar-nos seu amor profundo
Os nossos filhos vão escapando
Não na distância, mas no sentimento
O nosso sangue vai se esgotando
A nossa voz vai se perdendo ao vento
A nossa face vai perdendo a cor
Não somos pais se não parimos junto
Com nossos filhos, também nosso amor!
Nós não falamos com nossos filhos
Não temos tempo para ouvi-los
Histórias deles não nos interessam
Quando se arrasta um dedo em um gatilho
Se o tiro acerta em um de nossos filhos
É uma lástima de violência
Que não entende a nossa inteligência
Mas muito antes de perdê-lo à morte
Ficamos órfãos ao perdê-lo ao mundo
Que talvez também nos escapou a sorte
De um pai mostrar-nos seu amor profundo
Os nossos filhos vão escapando
Não na distância, mas no sentimento
O nosso sangue vai se esgotando
A nossa voz vai se perdendo ao vento
A nossa face vai perdendo a cor
Não somos pais se não parimos junto
Com nossos filhos, também nosso amor!
sábado, 16 de julho de 2011
A ASA BRANCA E AS PALMEIRAS DO SERTÃO
Martins Pescador
Minha terra tinha palmeiras
Onde cantava o sabiá
Aqui não gorjeiam aves
Lá podiam gorjear
(G. Dias (lá por 2100)
(G. Dias (lá por 2100)
O sabiá das palmeiras
Nunca pensou em faltar
O galho de uma palmeira
Aonde pudesse pousar
Fosse ele o responsável
Estaria ainda a cantar
Sem nunca ter nem pensado
Noutra medida tomar
Que mal seu canto nunca fez
Ao galho onde pousou
Fosse dele a decisão
Não faria o sol como fez
Da terra um seco torrão
Que saudade da palmeira
Saudade do sabiá
Saudade da terra úmida
A seca nada nos dá
Nações de todo o mundo
Cantando em coro uníssono:
Asa branca bateu asas
E voou para o sertão
Não tinha água, não tinha nada
Morreu de sede, meu alazão!
(L. Gonzaga)
(L. Gonzaga)
Carta de descobrimento disse a El Rei:
-
aqui nessa terra tudo que se planta dá
(Pero Vaz de Caminha)
(Pero Vaz de Caminha)
E a última carta será quem escreverá
Dizendo aos “sobreviventes” não há mais que se plantar!
Não foi o bandido
Nem o vagabundo
Mas o homem santo1
Que acabou com o mundo!
O crime daqueles são coisas pequenas
Ante os crimes destes de expansão terrena
O apocalipse agora é provado
Cientificamente reanunciado
Não há mais no mundo o que se fazer
É irreversível vai acontecer
Os nossos esforços são para prolongar
Os nossos sofrimentos a se acumular
Agora é só Deus quem pode resolver
Se perdoa o homem
Se o deixa sofrer
Quem sabe o homem em seu saber profundo
Não se iguale a Deus para refazer o mundo
Faça do nada surgir nova terra
Tão magnífica como a que encerra
Toda esperança em uma nova Criação
Que não possa ser vencida
Pela nossa ambição!
Será que o homem vai escolher um canto tórrido do deserto em
insolação?!
Será que vai preferir o canto alegre das campinas
verdejantes?!
Tanto poder na destruição!
Tanta falta de recursos e iniciativas na reconstrução!
Crucificação da humanidade
Com a madeira construímos a nossa cruz
Senhor! Por que nos abandonastes?!
A palmeira sem reposição
O canto do sabiá foi em vão!
Asa branca bateu asa
Voou procurando casa
Mas casa não tinha não!
Todos sofremos na vida
Por causa da palmeira caída
Eu ponho ponto final
Porque o clamor é sem fim
Cantei pela asa branca!
Sabiá cantou por mim!
1Colonizador, homem de posse, de “bem” normalmente
seguidor de uma religão e principal responsável pelo desenvolvimento e progresso.
sábado, 4 de junho de 2011
NUNCA VI, NEM COMI, EU SÓ OUÇO FALAR
NUNCA VI, NEM COMI, EU SÓ OUÇO FALAR
A beira do Rio Cavernoso
Nasceu um sujeito feioso
Mistura de indio com branco
Ninguém sabe se foi prazeroso
Não sei se do branco ou da india
De quem herdou tanta feiúra
Se era feia a pobre criatura
Eram os pais mais feios ainda
Logo que posto no mundo
Um cacique velho e morimbundo
Já lhe deu a sentença de morte
Que p´ra ser um guerreiro da tribo
Precisava ser belo e forte
A mesma mulher que o pariu
P´ra não vê-lo jogado no rio
Sem nem mesmo um nome lhe dar
Pegou o filho nos braços
E com o coração em pedaços
Levou para o branco cuidar
O branco que era sozinho
O que era feio achou bonitinho
Deu água, comida e carinho
Salvando a vida do pobre indiozinho
Ninguém sabe qual a plenitude
Dos seus feitos de infância e de juventude
É sabido que aos dezoito anos
Alistou-se para ser militar
Fez as malas, ajuntou os seu panos
Foi ao exército aprender a marchar
Ninguém sabe se lá destacou-se
Quanto tempo conseguiu ficar
Hoje, velho ele conta as histórias
Do tempo em que foi militar
Eu nem sei se de fato existiu
Peço dele ninguém nunca viu
Eu só conto o que ouvi falar
Se um dia encontrares com ele
Muitas histórias ele vai lhe contar
Faça conta que acredita nele
Não deixe ele te enganar
Meio por cima é que eu conto essa história
Sem o nome poder revelar
Que esse cara é na minha memória
Semelhante com o Caviar
Nunca vi, nem comi, eu só ouço falar!
Martins Pescador
A beira do Rio Cavernoso
Nasceu um sujeito feioso
Mistura de indio com branco
Ninguém sabe se foi prazeroso
Não sei se do branco ou da india
De quem herdou tanta feiúra
Se era feia a pobre criatura
Eram os pais mais feios ainda
Logo que posto no mundo
Um cacique velho e morimbundo
Já lhe deu a sentença de morte
Que p´ra ser um guerreiro da tribo
Precisava ser belo e forte
A mesma mulher que o pariu
P´ra não vê-lo jogado no rio
Sem nem mesmo um nome lhe dar
Pegou o filho nos braços
E com o coração em pedaços
Levou para o branco cuidar
O branco que era sozinho
O que era feio achou bonitinho
Deu água, comida e carinho
Salvando a vida do pobre indiozinho
Ninguém sabe qual a plenitude
Dos seus feitos de infância e de juventude
É sabido que aos dezoito anos
Alistou-se para ser militar
Fez as malas, ajuntou os seu panos
Foi ao exército aprender a marchar
Ninguém sabe se lá destacou-se
Quanto tempo conseguiu ficar
Hoje, velho ele conta as histórias
Do tempo em que foi militar
Eu nem sei se de fato existiu
Peço dele ninguém nunca viu
Eu só conto o que ouvi falar
Se um dia encontrares com ele
Muitas histórias ele vai lhe contar
Faça conta que acredita nele
Não deixe ele te enganar
Meio por cima é que eu conto essa história
Sem o nome poder revelar
Que esse cara é na minha memória
Semelhante com o Caviar
Nunca vi, nem comi, eu só ouço falar!
quarta-feira, 13 de abril de 2011
CIÊNCIAS GENÉTICAS
Martins Pescador
O Criador prometeu a vida eterna
Mas tudo morre na verdade
A criatura vai superar o Criador
E conquistar enfim a eternidade
domingo, 13 de março de 2011
RIQUEZAS AMONTOADAS
RIQUEZAS AMONTOADAS
Martins Pescador
Muitos que sonharam com esta terra
Reviraram esta terra
Hoje são terras nesta terra
Anos de pó pagando tributos
Ninguém teve dó
Verbas liberadas
Depois remanejadas
E cadê o asfalto?!
Povo indignado! Mãos para o alto!
Isso é um assalto!
Não tentem reagir, passem o dinheiro
Ou puxo o gatilho
Assim é que amontoa
Aqueles que são cobras
Hienas ou crocodilos.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
domingo, 6 de fevereiro de 2011
EU ADULTO, ÀS VEZES CRIANÇA
EU ADULTO, ÀS VEZES CRIANÇA
Martins Pescador
Só quem gosta de crianças
Só quem gosta como eu
Pode recordar lembranças
Desde o dia em que nasceu
Descalço sem camisa
Correndo de pés no chão
Tanto faz se é sol ou brisa
Tempo ruím é diversão
Quem já fez bola de meia
Já fez asas p´ra voar
Quem já brincou na areia
Hoje para p´ra pensar...
Desapareceu uma criança
Uma geração inteira
E até as brincadeiras
Mas ficou a lembrança
Um dia eu enterro este homem
E desenterro a criança!
sábado, 15 de janeiro de 2011
VALOR RELATIVO
VALOR RELATIVO
Martins Pescador
O rico morreu.
De que valeu toda riqueza,
Se não pôde evitar a morte?!
O pobre morreu.
De que valeu toda pobreza,
Se não pôde evitar a morte?!
Quando tu morreres,
E não importa se rico ou pobre,
Saberás de uma coisa e outra,
O quanto valeu!
E assim, como não te cabes escolher
Se vais ou se ficas
Não poderás mais escolher
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
sábado, 25 de dezembro de 2010
VIAGEM TRANSCENDENTE
VIAGEM TRANSCENDENTE
Martins Pescador
Madrugada de primavera
Na ponte inventada sobre águas de fronteiras
Em minha caminhada de aventuras pantaneiras
Observo a beira do rio abaixo
Uma árvore toda branca
Bando de garças pousadas
À beira da barranca
Como as ideias que dormem
Nas maças cinzentas dos poetas
Mariposas prontas a metamorfrasear
Martins Pescador
Madrugada de primavera
Na ponte inventada sobre águas de fronteiras
Em minha caminhada de aventuras pantaneiras
Observo a beira do rio abaixo
Uma árvore toda branca
Bando de garças pousadas
À beira da barranca
Como as ideias que dormem
Nas maças cinzentas dos poetas
Mariposas prontas a metamorfrasear
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
CARREGANDO O POETA
CARREGANDO O POETA
Martins Pescador
Já busquei o silêncio da madrugada
Onde tudo se acalma
Para psicografar poesias
Hoje psicografo todo dia
A todo instante
Em meio a barulhos atordoantes
Porque carrego a madrugada
Em minha alma
domingo, 12 de dezembro de 2010
O CANTO DE DENTRO
O CANTO DE DENTRO
Martins Pescador
Eu não canto, mas minha alma canta
Não canta canções desse mundo
E quando ela canta
Ela me alevanta
Porque canta forte
Afastando azares
Despertando a sorte
Meu canto se faz sentir
Nos palcos celestiais
Ouço os anjos a me aplaudir
Gritando a que eu cante mais
Minha alma se pôs a cantar
E cantou por uma orquestra
E para ela cantar em festa
Foi só eu me silenciar!
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
ALMAS ANSIOSAS
Martins Pescador
Olhar dentro dos olhos
Olhar de puro amor
Leituras silenciosas
Poliglotas da linguagem interior
ENCONTRO MARCADO
Martins Pescador
Fiz-lhe uma proposta
Aposto que você vém!
Mas você não apareceu
A noite emudeceu
Fiquei esperando uma resposta
O dia amanheceu...
Perdi a minha aposta!domingo, 21 de novembro de 2010
domingo, 14 de novembro de 2010
LA NIÑA - MENINA RETRAÍDA
PERTO DO PARAÍZO
PERTO DO PARAÍZO
Martins Pescador
Martins Pescador
Deus me estendeu a mão
Andou comigo
Deu-me toda liberdade
Só pôs uma restrição
De não comer de um fruto proibido
Mas um dia, eu despercebido,
Da restrição tinha esquecido
E quando eu me dei por conta
O fruto eu tinha comido
Pela primeira vez senti vergonha
Deus me expulsou do paraízo
Eu sofro, mas ainda sou feliz
Porque o paraízo veio comigo
E fica ali...
A um palmo abaixo do umbigo!
sábado, 6 de novembro de 2010
ANTES DA MATÉRIA
HÚMUS SECO
HÚMUS SECO
Martins Pescador
Na beira dos mares
Eu vejo sertões
Dentro de pessoas
Que caminham pelas praias
Ignorando corações
Imagino o advento
Que poderia acontecer
Se todos deixassem chover
No deserto que trazem dentro.
domingo, 31 de outubro de 2010
ENROSCADOS PARA SEMPRE
ENROSCADOS PARA SEMPRE
Martins Pescador
O cordão feito em laço
Enroscou no abraço
Te deixou quase nua!
Que beleza risonha
Desperta a cegonha
Não tenhas vergonha
Não foi culpa tua!
Um botão da minha roupa
Que eu considero inocente
Pois sua culpa foi pouca
Foi sufocado entre a gente!
Ameacei arrancar o botão
Com medo ele confessou
Que houve uma combinação
Foi culpa também do cordão
Dois seres inanimados
Querendo ser nossos cupidos
Armando para nos provocar
Mexendo com nossos sentidos.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
UM POUSO EM MINHA JANELA
UM POUSO EM MINHA JANELA
Martins Pescador
Não foi o corvo que pousou em minha janela
![]() |
| aimaginacaovaletudo.eblog.pt |
De rajas cinzas e amarelas
Cento e sessenta graus na memória
E a percepção de tudo ao redor
Um olhar crítico para a história
Sem me curvar aos ventos
Que trazem as tempestades
Mas pode vir a coruja
O beija-flor, ou o sabiá
Nada despertará mais atenção
Que o pouso do corvo... Na janela!
domingo, 17 de outubro de 2010
A PECADORA
A PECADORA
Martins Pescador

Ela fez um ponto na praça
E uma desconfiança em um lar
Linda e cheia de graça
Graça que alguém vai amar
Sempre um aventureiro que passa
Sempre uma solidão para matar
Ela consola os solitários
Os amores desprezados
A ilusão dos otários
Que pensam estar sendo amados
Faz o que faz pela vida
Perdendo-a para ganhá-la
Pelo preconceito é perseguida
Dão-me pedras para lha atirá-la
Se ninguém atirou a pedra
Não sou eu quem vai atirar
Deixa esta mulher ir embora
Fez ela o que fez sem pensar
Martins Pescador

Ela fez um ponto na praça
E uma desconfiança em um lar
Linda e cheia de graça
Graça que alguém vai amar
Sempre um aventureiro que passa
Sempre uma solidão para matar
Ela consola os solitários
Os amores desprezados
A ilusão dos otários
Que pensam estar sendo amados
Faz o que faz pela vida
Perdendo-a para ganhá-la
Pelo preconceito é perseguida
Dão-me pedras para lha atirá-la
Se ninguém atirou a pedra
Não sou eu quem vai atirar
Deixa esta mulher ir embora
Fez ela o que fez sem pensar
domingo, 10 de outubro de 2010
sábado, 25 de setembro de 2010
MINHA POESIA
COMPACTADO NA MATÉRIA
Martins Pescador
É fato. É certo.
Aqui crescerão blocos de concretos.
E para onde vou fugir?!
O concreto vai me espremer
Me envolver, me petrificar!
Eu ficarei aqui...
Eternamente...
Asfaltado!
Suportando tudo
que trafega em mim!
sábado, 18 de setembro de 2010
ACOMPANHANDO O CRESCIMENTO
O INFINITO DO DESTINO
![]() |
| J.M.W.Turner |
O INFINITO DO DESTINO
Martins Pescador
Nas águas salgadas do mar da vida
Vou dando braçadas com força aguerrida
As ondas tapeiam meu rosto cansado
Com a boca cheia de um gosto salgado
E a cada vez que essa vida naufraga
Se eu olho para cima, é alto para mim!
Se eu olho para frente, horizonte sem fim!
Então eu olho para baixo, é onde me encaixo!
Ouço um barulho em meu peito
Penso que tudo ainda tem jeito
Com a alegria de um cão
Ao primeiro carinho
Eu retomo minhas forças
E retomo o meu caminho.
domingo, 5 de setembro de 2010
DIVINA ARTE
DIVINA ARTE
Martins Pescador
Deus sussurra no silêncio de minha alma
Na tranqüilidade do silêncio ainda me pede calma
O meu espírito sente a santa presença divina
Ajoelhado o meu corpo se inclina
| www.anelisesabino.blogspot.com |
De alma pura e serena
Diante da verdade plena
Este poeta compõe obra prima
Retratando o sopro que anima
As obras da mão divina
Então, fico contemplando
A obra pronta e perfeita
Mostra-me o mérito distante
Prova no mesmo instante
Que a obra é toda de Deus
Que continua... soprando.
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